Agora, numa reportagem internacional, você vai ver uma amazônia que nós, brasileiros, praticamente não conhecemos. Nelson Araújo, reporter do Globo Rural, foi ao Equador para mostrar uma interessante experiência de Agricultura Sustentável com pequenos produtores de cacau.
São agricultores que formaram uma pequena cooperativa e, que a ajuda de ONGs estão realizando a façanha de exportar não a matéria-prima, o cacau em pó, como o país sempre fez, mais o Chocolate pronto.
O Equador é como aquele vizinho que agente quase nunca vê e de quem pouco se sabe. O povo tem forte influência indigêna nos traços e no costumes, e a Geografia é bem acidentada. Só de vulcões, o País tem mais de 70.
No mapa da América do Sul, assim como o Chile, o Equador não faz fronteira com o Brasil. Estamos separados pelo Peru e pela Clômbia. Não é a Cordilheira dos Andes, em cujos altos se assenta a Capital Quito, cidade muito bonita, a primeira a ser declarada pela ONU como Patrimônio da Humanidade.
E você sabe porque o Equador ganhou esse nome? Nos arredores da Capital, encontra-se uma explicação magnifica: Há construções que fazem parte de um grande Parque chamado "Metade do Mundo". A alameda central é cheia de bustos, representando os Pesquisadores de uma Expedição Francesa, que foi para o País em 1736. O objetivo era fazer medições científicas do planeta. A Expedição durou nove anos. A Torre com uma Bola no topo é um monumento ao que eles encontraram, o ponto exato da metade da Terra. Foi a partir de lá, que projetaram a Linha Imaginária do Equador, que quer dizer igualador, que divide um todo em duas partes iguais.
Quem está na metade do mundo pode viver uma experiência interessante. Numa fração de segundos, atravessar a linha equatorial e passar do Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte. Voltar ou ficar com um pé em cada lado da Terra.
O complexo em homenagem a Missão Geodésica é hoje a principal atração turística continental do País, com quase um milhão de visitantes do mundo todo, por ano.
Nos museus, nos pavilhões cientifícos, há muito o que se aprender. Dá para entender porque o País que se chamava Real Audiência de Quito, adotou o nome de Equador. E achando-se a posiçãao certa, é possivel ficar com o Globo Terrestre na palma da mão.
A foto é uma lembrança imperdível da Metade do Mundo, é ao lado da placa que indica que estamos na latitude 000.
Voltando ao Equador, seguindo o eixo para a direita, em direção a leste, na latitude 00, transpomos a Cordilheira dos Andes ao que o Brasil tem em comum com o Equador, apesar da distância e separação: a Floresta Amazônica.
Assim como o Brasil, a metade do território equatoriano se estende pela Amazônia. Este ponto da maior bacia hidrográfica do mundo, é rico em nascentes.
As plantações de cacau do Equador se espalham por várias regiões. A que vamos conhecer fica na parte oriental, já em plena Floresta Amazônica. Os produtores, em sua maioria, são agricultores ribeirinhos. Para visitar uma propriedade, estamos descendo agora o rio Napo, cujas àguas vem da Cordilheira dos Andes para ajudar a formar o nosso Amazonas.
A propriedade nos foi indicada pela Associação dos Produtores. Fica no município de Tena a uma hora e meia da cidade. O proprietário Cesar Dahua, tinha ficado de nos esperar na beira do rio, mais chegamos com duas horas de atraso. Não encontramos ninguém. Na companhia do Agrônomo Carlos Pozo, saímos a procurá-lo. Na palafita, ele não está.
Carlos vasculha nos arredores e volta informando que por ali também ele não está. O achamos depois de um tempo, colhendo cacau.
Nestes confins da Amazônia equatorial, as propriedades não são grandes. Têm em média 50 hectares. Só que é tudo floresta, e cultivo misturado. Tanto que nem usam palavras como roça, lavoura, pomar. Falam mata de cacau. Um olho desacostumado nem vai destinguir os cacaueiros no meio do arvoredo.
Outra palavra que não se ouve na região é empregado. A família é que faz tudo. Cesar ( o proprietário) avoca para si a tarefa de identificar e colher as cápsulas maduras de cacau.
Quem se lembra das grandes fazendas de cacau no Brasil logo entende que aqui é tudo artesanal. Dom Cesar plantou apenas sete hectares, mais a colheita é demorada. É praticamente o ano inteiro. Tem período de frutificação mais intenso que vai de janeiro a agosto. Depois, a produção cai que é quando agente faz os tratos culturais", diz.
O tipo de cacau de Equador é chamado de nacional, porque é nativo da Floresta Amazônica daqui, mais foi cruzado com uma variedade que veio da América Central, o que resultou numa diferença de cor e de sabor. O amarelo é mais frutado, e o vermelho é mais floral. "É um privilégio a Natureza nos dá um cacau tão diferenciado como este. Já tentaram plantar em outros lugares, mais não dá com sabor igual ao daqui", completa o agricultor.
Carlos Pozo é um dos que dão assistência agronômica aos cacaueiros. Cesar segui as regras de produção de uma Cooperativa que congrega 850 famílias da cabeceira do rio napo. A nossa orientação básica é para que o agricultor não faça monocultivo", Diz Pozo.
De um lado de um pé de cacau agente pode ver uma balsa, arvore que passa de 30mts de altura. Do outro, um pé de Cedro Amazonense. Tem algodão, mandioca, banana, laranja e até um coquinho que aqui chamam de morete, o noso buriti. Pozo lembra que a diversidade garanti a saúde da plantação, pois diminui a presença dos inimigos naturais do cacau.
O clima úmido da mata de cacau as vezes favorece o surgimento de fungos. Aparecem doenças como a escova de bruja, a nossa vassoura de bruxa, que é natural da Amazônia, mas o controle tanto de doenças como de pragas é obrigatoriamente natural sem agrotoxicos. Sem venenos. Nossa produção se caracteriza por uma produção sã, totalmente orgânica, defendendo a biodiversidade e nossos ecosistemas.
O transporte dos frutos colhidos do ponto de coleta ate a casa fica ao encargo da família. Cesar tem uma turma grande: 08 filhos, quatro netos. Madalena, a esposa, reune quem esta disponível no fim da tarde para a tartefa. Juntos, fazem o processamento rudimentar da despolpa. Uns cortam lateralmente a cápsula e outros completam, derrubando os grãos nas vasilhas.
O Equador é o principal exportador de cacau fino do mundo. A Cooperativa Killari ( nome dado ao chocolate) da Amazônia Equatoriana, conseguiu entrar num mercado ainda mais exigente, o de chocolate fino, chamado gourmet.
Este chocolate não está a venda no Brasil. Toda a produção vai para as bombonieres de luxo da Europa e dos Estados Unidos.
É notável o exemplo que vem desses ribeirinhos que souberam se unir, procurar e aceitar ajuda de fora para que possam continuar mantendo a floresta, se mantendo e mantendo seus costumes e tradições.
Essa materia foi ao ar no dia 14/11/2010 no programa Globo Rural. Achei interessante por isso compartilho com todos vocês e por fazer parte de minhas origens.
Espero que gostem!